Como explicar ou definir o que nos faz bem e o que nos faz mal?
E quando algo ou alguém provoca os dois (ou os quatro) - bem e mal / bom e mau - simultaneamente?
Num contexto em que 1 + 1 = 2, estes poderes opostos se enfrentam num duelo esquematizado pela razão, e o conflito finda com a operação 2 - 1 = 1.
Todavia, no contexto em que 1 + 1 = 1, o dualismo (quando existe) não é racionalizado, mas sentimentalizado, transformando seus próprios conceitos.
O que o faz sentir-se bem? O sentimento de proteção?
Saber que existe um colo acolhedor, um aconchego, beijos e abraços longos e aquecidos, um olhar infiltrante e muito carinho talvez não seja uma boa. Pode-se entrar em uma fria, levando-se em conta que o 'bem' aparente torna-se 'mau' quando a conta passa a ser 1 - 1 = 0 .
Sente-se agora um vazio por não ter mais o que era bom e o que lhe fazia bem. Neste ponto, há fundamento citar Caetano ao afirmar que o "mal é bom e o bem cruel".
Em um estágio no qual confunde-se o que se sente e o que se quer, o dualismo invertido já não tem forças para tomar qualquer decisão, perturbando a mente e causando contrastes no que se diz e no que se faz.
Mais fácil seria, se mais fácil fosse. Difícil é tentar tornar fácil o que é inexplicávelmente complexo.
Agora citando Camões, "é um não querer mais que bem querer", que não permite desquerer.
E como pode-se transformar um sentimento em amizade, se Camões contrapõe-se com seus versos:
"Mas como causar pode seu favor,
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Num mar de desejos e vontades, desagua um rio de incertezas. O intuito é de ocultar a realidade de forma tal a não deixar que um vendaval desmonte em lágrimas o que antes era sorrisos. No entanto, lágrimas ou sorrisos são inerentes ao amor. E este não há como ocultar, pois quando é verdadeiro e intenso, nem em um instante e nem depois de tempos é esquecido.
Finalizo prestigiando o grande poeta chileno:
Não te quero...
"Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,a sangue e fogo.
Nega-me o pão, o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."
Pablo Neruda
Ps.: Citação de Caetavo Veloso retirada da letra de Tigresa
Citações de Luís Vaz de Camões retiradas do Soneto V