quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Maniqueísmo do Amor

Como explicar ou definir o que nos faz bem e o que nos faz mal?
E quando algo ou alguém provoca os dois (ou os quatro) - bem e mal / bom e mau - simultaneamente?
Num contexto em que 1 + 1 = 2, estes poderes opostos se enfrentam num duelo esquematizado pela razão, e o conflito finda com a operação 2 - 1 = 1.
Todavia, no contexto em que 1 + 1 = 1, o dualismo (quando existe) não é racionalizado, mas sentimentalizado, transformando seus próprios conceitos.
O que o faz sentir-se bem? O sentimento de proteção?
Saber que existe um colo acolhedor, um aconchego, beijos e abraços longos e aquecidos, um olhar infiltrante e muito carinho talvez não seja uma boa. Pode-se entrar em uma fria, levando-se em conta que o 'bem' aparente torna-se 'mau' quando a conta passa a ser 1 - 1 = 0 .
Sente-se agora um vazio por não ter mais o que era bom e o que lhe fazia bem. Neste ponto, há fundamento citar Caetano ao afirmar que o "mal é bom e o bem cruel".
Em um estágio no qual confunde-se o que se sente e o que se quer, o dualismo invertido já não tem forças para tomar qualquer decisão, perturbando a mente e causando contrastes no que se diz e no que se faz.
Mais fácil seria, se mais fácil fosse. Difícil é tentar tornar fácil o que é inexplicávelmente complexo.
Agora citando Camões, "é um não querer mais que bem querer", que não permite desquerer.
E como pode-se transformar um sentimento em amizade, se Camões contrapõe-se com seus versos:
"Mas como causar pode seu favor,
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Num mar de desejos e vontades, desagua um rio de incertezas. O intuito é de ocultar a realidade de forma tal a não deixar que um vendaval desmonte em lágrimas o que antes era sorrisos. No entanto, lágrimas ou sorrisos são inerentes ao amor. E este não há como ocultar, pois quando é verdadeiro e intenso, nem em um instante e nem depois de tempos é esquecido.

Finalizo prestigiando o grande poeta chileno:


Não te quero...


"Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,a sangue e fogo.
Nega-me o pão, o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."

Pablo Neruda

Ps.: Citação de Caetavo Veloso retirada da letra de Tigresa
Citações de Luís Vaz de Camões retiradas do Soneto V

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

AMIGOS

Prima facie estréio este blog com uma homenagem a todos os meus amigos (de infância, dos tempos de escola, do trabalho, do dia-a-dia, alguns professores, alguns alunos, e em especial minha família - meus maiores e mais presentes amigos)

Desculpo-me com alguns, pela minha ausência em suas vidas. A distância não invalida o imensurável amor e carinho que sinto por vocês, por isso sempre que nos reencontramos é motivo de festa!

Agradeço a outros pelas palavras corretas nos momentos exatos, pelos ombros emprestados às lágrimas insistentes, pelos risos e sorrisos compartilhados, pelos conselhos e 'carões', e principalmente por me apoiarem acima de qualquer circunstância. Agradeço também àqueles que passaram e aos que passarão pela minha vida como uma estrela cadente, mas que deixaram e deixarão marcas para sempre em meu coração e em meus pensamentos. Obrigada a todos que me mostram o melhor caminho a seguir e àqueles que caminham comigo.
SaudadeS


Dedico-lhes palavras do grande poeta:

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento
mais nobre do que o amor,eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto oamor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, quetivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressemtodos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meusamigos e o quanto minha vida depende de suas existências ..

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.Mas, porque não os procuro com assiduidade, nãoposso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não temnoção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meuequilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.E me envergonho, porque essa minha prece é, emsíntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que aroda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morandocomigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meusamigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saberque são meus amigos!"

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinícius de Morais